#10 O VÍRUS VIROU A NOSSA VIDA DO AVESSO

#10 O VÍRUS VIROU A NOSSA VIDA DO AVESSO

Evaristo, ou a história de uma agência de comunicação que tinha apenas quatro meses de vida quando a pandemia chegou e parou o país.

Ainda está por escrever a história de como um vírus chegou e virou do avesso as nossas vidas. Os números disparados a um ritmo diário não contam o que vai cá dentro, nas nossas entranhas, quando uma inesperada pandemia nos tira as previsões, as estimativas, o caminho traçado até ao final do ano, a perspetiva de futuro. A tempestade abateu-se, chegou e parou o país. Parou fábricas, reduziu a zero o número de encomendas, cancelou planos, eventos, lançamentos.

Para uma empresa que tinha apenas quatro meses de vida quando a pandemia se atravessou no caminho, posso dizer-vos que foi, no mínimo, uma experiência aterradora. Sabem as cenas de silêncio imenso num filme, em que os protagonistas olham um para o outro e adivinham que, logo logo, vai cair uma bomba? Foi mais ou menos isto que aconteceu na Evaristo.

Os planos que tínhamos pensado e desenhado de forma estratégica para divulgar marcas e empresas deixaram de fazer sentido e as empresas retraíram-se com natural receio do que vinha atrás da Covid-19. Os meses de trabalho que tínhamos pela frente ficaram por preencher. Há uma fase de incredulidade, quase de choque. Perguntamo-nos “porquê agora?”, “como vamos sobreviver?”, “como vamos seguir este sonho doido de ter uma agência dedicada ao agroalimentar?”. A verdade é que nascemos no meio do furacão e ainda estávamos (e estamos) a construir o nosso espaço no mercado, enquanto projeto dedicado em exclusivo ao marketing e à comunicação.

Embora conhecesse bem o mundo das empresas, nada se compara a viver 24 horas com um negócio próprio. Sempre me entusiasmei com a perseverança que encontrei em tantos empreendedores, com aquela capacidade incrível de encontrar a solução, uma espécie de magia de “fazer acontecer”. E hoje, ao viver 24 horas com um negócio próprio, percebo que essa energia criadora nos dá, no meio do caos, uma força interior que nos empurra para a frente e não nos deixa baixar os braços. 

Foi isso que aconteceu. Começámos quase de novo, pegámos em todas as propostas, repensámos todas as estratégias, insistimos e persistimos. Parafraseando São Francisco de Assis, fizemos tudo o que foi necessário, depois, tudo o que foi possível, até que conseguimos o impossível. E ainda aqui estamos.

Bem sei que esta é uma história banal no mundo das empresas. Mas enquanto me maravilhar com esta capacidade de reinvenção acredito que faz sentido partilhá-la. Porque este é um contágio necessário.

Ana Rute Silva
anarute@agenciaevaristo.pt

Artigo publicado na edição de junho da Revista Frutas Legumes e Flores

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