#58 REDES SOCIAIS E PRODUTOS LOCAIS: PODE UM FRASCO DE MEL “IRRITAR” O ALGORITMO?
Num feed infinito, dominado por vídeos de meia dúzia de segundos, trends novas todos os dias, memes, dietas milagrosas e receitas simples com apenas três ingredientes, um frasco de mel pode parecer, à partida, deslocado. E talvez esteja. Mas isso não significa que não tenha lugar. Significa apenas que precisa de ser bem apresentado, bem comunicado.
Os produtos locais, sejam eles legumes, frutas, queijos, vinhos ou ovos, não nascem a pensar que têm de ser virais. Nascem do tempo, da terra, do cuidado. São feitos com base na realidade, não na tendência. Mas isso, por si só, não basta para ganhar espaço num feed e fazer parar o scroll. Ganhar visibilidade digital exige estratégia, criatividade e saber exatamente quem está do outro lado do ecrã. Porque o público mudou: está mais exigente, mais rápido a decidir, mas também mais recetivo a conteúdos com verdade.
O algoritmo das redes sociais não é contra o mel. É contra o desinteressante. É contra o conteúdo genérico, feito sem diferenciação. Um frasco de mel, quando bem comunicado, pode ser muito mais do que um produto. Pode ser uma história bem contada. E isso sim, o algoritmo adora e o consumidor também.
O segredo está em alinhar o que torna o produto único com a forma como as pessoas consomem informação nas redes sociais. Não se trata de forçar conteúdos, mas sim de mostrar o que o apicultor tem de mais verdadeiro de forma visualmente apelativa. Um vídeo curto que capture a textura do mel, o som do frasco a abrir, uma receita simples, um momento da produção ou uma curiosidade sobre as abelhas. Isto sim, pode prender muito mais a atenção do que se imagina. É este o tipo de comunicação que conecta e que, aos poucos, constrói relevância.
Há espaço para tudo, mesmo no digital.
Portanto, não, o mel não “irrita” o algoritmo. Um bom mel (ou qualquer outro produto, o mel é apenas um exemplo) pode muito bem ser o próximo conteúdo que prende o olhar no meio do scroll. E quando isso acontece, já não é só o mel que ganha, é a marca, o produtor, o território… é toda uma identidade que se reforça no digital.
Tânia Esteves
PR and Social Media Specialist
tania@agenciaevaristo.pt
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