#57 MELHOR DO QUE CHOCOLATE DO DUBAI. AS DOP SÃO O TESOURO ESCONDIDO DE PORTUGAL.

#57 MELHOR DO QUE CHOCOLATE DO DUBAI. AS DOP SÃO O TESOURO ESCONDIDO DE PORTUGAL.

O trabalho mais difícil já está feito e acessível a quem visitar a plataforma da Comissão Europeia, onde em minutos podemos conhecer os produtos europeus classificados nos regimes de qualidade da União Europeia. Trocado por miúdos, a informação sobre os alimentos com selo DOP (denominação de origem protegida), IGP (indicação geográfica protegida) e IG (indicação geográfica) está toda sistematizada e partilhada de forma transparente. Ou seja, sabemos exatamente quais são as jóias preciosas que Portugal tem no seu espólio alimentar.

As indicações geográficas estabelecem direitos de propriedade intelectual para produtos cujas qualidades estão relacionadas com a área de produção. É um sistema que protege os nomes destes alimentos ou bebidas, oriundos de regiões específicas, e que garante ao consumidor que o que tem na mão foi produzido de acordo com um processo concreto, só possível num determinado lugar e com matéria-prima especial. Diria que – estes sim – são os verdadeiros “chocolates do Dubai”, os genuínos produtos de luxo que deveriam ficar virais e atrair hordas de consumidores às lojas.

De acordo com a plataforma da UE (https://www.tmdn.org/giview/gi/search), há 206 DOP,  IGP e IG registados em Portugal – 151 de comida e 55 de vinho e bebidas espirituosas. Só fruta, são 34 – 17 das quais DOP. Aliás, nos DOP encontramos registados 11 queijos, 7 azeites e 12 produtos de origem animal, como o mel e o requeijão. Uma lista de respeito.

Se juntarmos ao saber fazer dos produtos a história dos seus produtores, temos matéria suficiente para montar um plano de comunicação estratégico que dê o lugar merecido a este património alimentar. É um investimento necessário na preservação das nossas raízes e na promoção de algo profundamente distintivo do país. Aplicar os melhores métodos do marketing e da comunicação seria, seguramente, um projeto muito apetecível para qualquer agência de comunicação.

Da criação de lojas PopUp a workshops com os consumidores, o potencial é gigante. E, acredito, haverá financiamento disponível para ações de impacto, provocadoras e criativas. Porque é preciso disrupção para comunicar nos dias de hoje, onde o tempo é medido pelas “trends” das redes sociais, pelas corridas aos supermercados para comprar produtos ditos exclusivos, limitados e inacessíveis. A percepção de escassez é, aliás, um excelente impulsionador de vendas e cria este sentido de urgência no consumidor. Ninguém quer ficar de fora.

A parte boa é que os produtos classificados cumprem a promessa de autenticidade, qualidade e diferenciação. Quem é que realmente achou que os euros gastos em chocolate do Dubai valeram a pena? Garanto que uma posta de Carne Arouquesa, temperada com Flor de Sal de Tavira e acompanhada por vinho do Dão superam em largos pontos qualquer iguaria viral.

Ana Rute Silva
Partner Agência Evaristo
anarute@agenciaevaristo.pt

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