#15 AGRICULTURA BIOLÓGICA: TERRENO FÉRTIL PARA SEMEAR E COMUNICAR

#15 AGRICULTURA BIOLÓGICA: TERRENO FÉRTIL PARA SEMEAR E COMUNICAR

Importará agora traçar estratégias que clarifiquem e informem o consumidor, sobre as suas especificidades e mais valias, sobre o seu valor acrescentado, seja na rotulagem, seja em campanhas de promoção que reforcem esta interligação entre a oferta e a procura.

Percebemos a importância da comunicação quando sentimos a falta de informação ou, pelo contrário, o excesso dela. A transparência e a objetividade da comunicação são cada vez mais importantes para quem produz e consome. A Agricultura Biológica é, na nossa opinião, um desses grandes temas que ainda não encontrou o desejado equilíbrio. Há ainda um caminho a percorrer, a vários níveis, para que o seu conceito floresça na perceção dos vários públicos-alvo de forma clara.

Ao longo do século XX a produção competitiva, massificada e globalizada, assente na inovação e no baixo custo caraterizaram a economia mundial. A noção de que os recursos do planeta são limitados só recentemente se tornou num tema público e disseminado em todas as áreas da sociedade. Os impactos da atividade humana nos ecossistemas do nosso planeta são hoje mais visíveis e comunicados do que nunca. Os primeiros produtores a introduzir este modo de produção e os primeiros consumidores despertos para o biológico em Portugal tiveram de abrir caminho e defender a urgência de uma nova forma de produzir alimentos. Hoje há uma maior consciência sobre a importância das nossas escolhas diárias como consumidores. Há um sentimento de urgência em mudar estratégias de consumo. Dos decisores políticos, às empresas, às famílias e a cada um de nós, esta deve ser uma preocupação. Um pequeno gesto ou mudança de comportamento, no seu conjunto, conquista um impacto global para o ambiente e a sustentabilidade do nosso planeta. No momento atual, produzir e consumir de forma sustentável é uma meta incluída nas políticas públicas e nas ferramentas de planeamento, em curso ou a adotar, quer no contexto nacional, quer na União Europeia.

Acreditamos que os produtores portugueses estão cada vez mais comprometidos em produzir de forma sustentável, seja em modo de produção biológica ou não, pois os requisitos ao nível da segurança alimentar são cada vez mais exigentes também na agricultura convencional. Importará agora traçar estratégias que clarifiquem e informem o consumidor, sobre as suas especificidades e mais valias, sobre o seu valor acrescentado, seja na rotulagem, seja em campanhas de promoção que reforcem esta interligação entre a oferta e a procura. Há terreno fértil para semear e comunicar a agricultura biológica portuguesa.

Gisela Pires
Partner da agência Evaristo
gisela@agenciaevaristo.pt 

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